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De lá para cá....

Ei pessoal!

Meu nome é Russell e estou de volta a Iracambi mais uma vez. Aos 29 anos, há poucas coisas que me permitem dizer “na minha época”, e ainda assim me vejo repetindo essa frase enquanto estou aqui. Na minha época… mais de 10 anos atrás…

Iracambi há muito ocupa um lugar especial em meu coração desde a primeira vez que visitei junto ao meu pai – que é professor universitário – e um grupo de seus  estudantes.  Isso foi há 12 anos, e eu tinha 17 anos na época. Aquela primeira curta visita foi o início de um longo relacionamento com Iracambi que iria evoluir e impactar minha vida de uma forma que eu nunca poderia imaginar. No ano seguinte terminei o ensino médio e embarquei em um ano sabático no Brasil durante o qual fiquei em Iracambi por 3 meses como coordenador dos voluntários.

Grande parte desse tempo fiquei sozinho no centro de pesquisas com poucos voluntários até que, no final da minha estadia, recebemos um grupo de 30  estudantes de engenharia e arquitetura. Foi uma mudança radical, e ficamos com a casa cheia. Trabalhamos juntos na construção da Casa da Floresta usando técnicas de construção sustentável, tais como como paredes de bambu curado e pau a pique enfeitado com garrafas de vidro (algumas das quais eu mesmo esvaziei).

Aquelas semanas fizeram com que eu ficasse apaixonado, tanto com Iracambi quanto pela Mata Atlântica. A trajetória da minha vida mudou para sempre. Depois de conversar com Robin e Binka, senti-me motivado a pesquisar maneiras de melhorar o trabalho social no nível de base. Eu sabia que Iracambi seria o local de  minha pesquisa, mas primeiro teria que fazer faculdade, trabalhar em projetos de desenvolvimento (Corpo de Paz e AmeriCorps) e esperar a pandemia diminuir. Finalmente, em 2021/2022, comecei a me candidatar a programas de doutorado em Antropologia Sociocultural, e fui aceito na Universidade da Califórnia Santa Bárbara. Foi fácil decidir sobre o meu tema de pesquisa porque era algo que eu havia presenciado no Brasil ao longo da minha vida e algo na qual Iracambi estava envolvido há muito tempo: a questão da mineração!

Um comentário rápido. Tenho feito várias visitas ao Brasil porque minha mãe é brasileira. Na verdade, ela é de uma pequena cidade a apenas cerca de uma hora e meia de distância de Iracambi. Por isso, ao decidir pelo local de pesquisa, escolhi Iracambi. Não só porque adoro o lugar e tudo o que ele oferece, mas também porque era perto o suficiente da minha família para visitá-los, mas longe o suficiente para não envolvê-los diretamente em meu estudo.

Agora, 12 anos depois da minha primeira visita a Iracambi, estou aqui por algumas semanas iniciando um programa de pesquisa que provavelmente levará cinco anos ou mais. Estou analisando as razões pelas quais esta região é o objeto de desejo de mineradoras, conservacionistas e pequenos agricultores, como isso cria um conflito potencial sobre o uso da terra e como esse conflito é resolvido. Durante esta viagem preliminar, visitei a empresa de mineração (CBA), entrevistei pessoas afetadas pela mineração e aqueles que se organizam contra ela, e até mesmo assisti a um debate feito por crianças em idade escolar sobre os benefícios/custos de mineração na região. O pessoal aqui de Iracambi tem sido incrivelmente prestativo, apresentando-me a várias pessoas da região e compartilhando com entusiasmo seus conhecimentos comigo.

Embora eu continue dizendo “na minha época”, reconheço as mudanças e melhorias que ocorreram em Iracambi. Iracambi contratou mais membros da comunidade, instalou melhor Wi-Fi em todo o centro, e aumentou significativamente sua meta de plantio de árvores ano após ano. Então, “meu dia” a que me refiro agora está se tornando “hoje” quando volto para iniciar minha pesquisa.

Com isso termino agradecendo Iracambi, por me permitir fazer parte de algo maior, e também por permitir que algo maior faça parte de mim. Iracambi mudou completamente o rumo da minha vida, e espero contribuir para saldar essa dívida com o trabalho que estou iniciando. Fiquem ligados! 

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